Michael, Arthur e o Graal

Pistis Sophia, o Evangelho gnóstico.

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Michael, Arthur e o Graal

Mensagempor Margarida » Ter Nov 16, 2010 5:16 pm

Michael, Arthur e o Graal

Rudolf Steiner

Torquay, 21 de Agosto de 1924 (vol. VIII da coleção Karmic Relationships)


[Sempre que Michael envia seus impulsos à evolução humana terrena ele é o portador de forças solares, das forças espirituais do Sol]

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(...) Em nossa época o impulso do Ser conhecido na terminologia cristã como arcanjo Michael é responsável pela condução espiritual de nossa civilização. Esta direção Michaélica da vida espiritual – se assim a pudermos chamar –teve seu início por volta de 1870 e foi precedida pela regência de Gabriel, como já lhes disse. Eu agora vou falar-lhes algo acerca de alguns aspectos da presente época Michaélica.

Sempre que Michael envia seus impulsos à evolução humana terrena ele é o portador de forças solares, das forças espirituais do Sol. Isto está conectado com o fato de os homens receberem durante o estado de consciência de vigília estas forças solares em seus corpos físico e etérico.

Na presente época de regência Michaélica – que principiou há relativamente pouco tempo e que durará por três ou quatro séculos – isto significa que as forças cósmicas do Sol penetram diretamente nos corpos físico e etérico humanos. Aqui poderíamos perguntar: Que espécie de forças, que tipo de impulsos são estas forças cósmicas solares?

Michael é essencialmente um espírito solar. E ele é o Espírito cuja tarefa em nossa época é suscitar um entendimento mais profundo e esotérico das verdades do Cristianismo.

Cristo veio do Sol. Cristo, o Ser do Sol, habitou na Terra no corpo de Jesus e vive desde então em comunhão supra-sensível com o mundo dos seres humanos. Porém, antes que o Mistério ligado ao Cristo possa revelar-se à alma, a humanidade precisa estar suficientemente madura. Este necessário aprofundamento será em grande extensão, atingido durante a presente era de Michael.


Ora, sempre que forças solares atuam sobre a Terra, elas estão invariavelmente ligadas ao impulso que flui à civilização terrestre como uma onda transbordante de intelectualidade, pois em nossa esfera de existência tudo o que os seres humanos possuam em termos de intelectualidade ou inteligência deriva do Sol. O Sol é a fonte de toda a vida intelectual que opera a serviço do Espírito.

O pronunciamento desta verdade pode evocar certa resistência hoje, pois as pessoas corretamente não atribuem um grande valor ao intelecto em sua presente forma. Aqueles que têm algum entendimento da vida espiritual não dão grande importância à intelectualidade prevalente na era moderna. Ela é abstrata e formal, enchendo a mente humana com idéias e conceitos inteiramente distantes da realidade viva. Comparada à cálida, radiante e pulsante vida através do mundo e da humanidade, ela é fria, seca e infrutífera.

No que diz respeito à inteligência, entretanto, isto somente se aplica ao tempo presente, uma vez que estamos no início da época de Michael e o que possuímos como inteligência está apenas no começo de seu desenvolvimento na consciência humana geral. Com o tempo, essa inteligência assumirá um caráter totalmente diferente. A fim de perceber como a natureza da inteligência muda durante o curso da evolução humana, recordemos que na época medieval o filósofo cristão Tomás de Aquino ainda falava de Seres, de “Inteligências Planetárias”, inteligências habitando as estrelas. Em contraste com a visão materialista que hoje vigora, nós mesmos também consideramos as estrelas como colônias de seres espirituais. Isto pode parecer estranho e artificial aos ouvidos do homem moderno que não tem a mais remota idéia de que ao contemplar as estrelas olha para Seres que se relacionam de certo modo com sua própria vida, e que habitam as estrelas da mesma forma como nós habitamos a Terra.

No século treze, quando Tomás de Aquino falou de Seres nas estrelas, ele atribuiu a cada estrela um Ser Único, da mesma forma como a humanidade terrena poderia ser considerada como uma unidade se a Terra fosse observada de algum corpo celeste distante. Nós mesmos sabemos que as estrelas devem ser concebidas como colônias de Seres no Cosmo. Tomás de Aquino não falava de seres específicos ou números de seres habitando as estrelas, mas quando se referia às “Inteligências” das estrelas, esta autoridade da doutrina cristã medieval estava dando continuidade a uma tradição que naquele tempo já estava quase morrendo. Isto é uma indicação de que o que é compreendido por inteligência hoje foi outrora compreendido de maneira inteiramente diferente.

Em tempos muito antigos os seres humanos não produziam seus pensamentos a partir de si mesmos. Quando eles pensavam sobre as coisas do mundo, seus pensamentos não eram produto de sua própria atividade interior. A faculdade do pensar, a propriedade de formar os pensamentos só veio a se desenvolver plenamente a partir do século XV, desde a entrada da Alma da Consciência na evolução da humanidade. Em tempos mais remotos, pré-cristãos, jamais teria ocorrido às pessoas acreditar que pudessem formar seus próprios pensamentos; elas não se sentiam responsáveis pela formação de seus pensamentos, mas antes, que eles lhes eram revelados a partir das coisas do mundo. Elas sentiam: a inteligência é universal, cósmica; ela está contida nas coisas do mundo; o conteúdo inteligente das coisas, o pensamento vivente nas coisas do mundo é percebido, tal como as cores são percebidas; o mundo é pleno de inteligência, permeado em toda parte pela Inteligência. No curso da evolução a humanidade adquiriu uma gota da Inteligência que se espalha e permeia todo o universo. Esta era a concepção de antigos tempos.

E assim os seres humanos estavam conscientes todo o tempo de que seus pensamentos eram revelados a eles, eram-lhes inspirados. Ou seja, as pessoas atribuíam Inteligência somente ao Universo, não a si mesmas.




Através das eras, o regente da Inteligência Cósmica, que se derrama como luz sobre todo o mundo, foi sempre o Espírito conhecido pelo nome de Michael. Michael é o Regente da Inteligência Cósmica. Contudo, após o Mistério do Golgotha ocorreu algo de profundo significado para o domínio de Michael sobre a Inteligência Cósmica, fazendo com que ela gradualmente deixasse sua esfera. Desde os primórdios da Terra, Michael tem administrado a Inteligência Cósmica. E no tempo de Alexandre e Aristóteles quando os seres humanos tinham consciência dos pensamentos – isto é, do conteúdo da inteligência dentro deles -- eles não consideravam estes pensamentos como seus próprios, como pensamentos auto-forjados. Eles os sentiam como revelação dada a eles pelo poder de Michael, embora naquela era pagã este ser fosse conhecido por um nome diferente. Este conteúdo que lhes preenchia o pensamento então gradualmente deixou a esfera de Michael. E se nós olharmos dentro do mundo espiritual veremos que por volta do século VIII/ IX, a descida da Inteligência do Sol para a Terra se consumou. No século IX as pessoas já começavam aqui e ali, como precursores dos que viriam mais tarde, a desenvolver uma inteligência pessoal própria. A inteligência começou a criar raízes nas almas de seres humanos individuais. E assim, olhando desde o Sol para a Terra, Michael e suas hostes podiam dizer: “Aquilo que regemos através dos tempos retirou-se de nosso domínio, fluiu para baixo e pode agora ser encontrado nas almas humanas na Terra.”

Tal era a atmosfera, o sentimento prevalente na comunidade Michaélica sobre o Sol. Durante a era de Alexandre e por uns poucos séculos antes dela, Michael exercera sua regência prévia. Por ocasião do Mistério do Golgotha, entretanto, Michael e suas hostes estavam na esfera solar e de lá testemunharam a partida do Cristo do Sol; eles não testemunharam, como aqueles que se encontravam embaixo, a chegada do Cristo à Terra. Michael e suas hostes testemunharam a partida do Cristo e ao mesmo tempo viram que seu domínio sobre a Inteligência foi gradualmente se retirando de seu alcance.

Logo após o Mistério do Golgotha, portanto, o curso do desenvolvimento se deu da seguinte forma: Cristo desceu à Terra e viveu em união com ela. Até o século VIII ou IX a Inteligência Cósmica foi pouco a pouco descendo à Terra; e as pessoas começaram a atribuir o que elas chamavam de conhecimento – o que elas desenvolviam em seus pensamentos – à sua própria inteligência. Michael viu que aquilo que ele administrara por tempos encontrava-se agora nas almas humanas. E assim a comunidade michaélica compreendeu: “Durante nosso próximo período de regência – que se iniciará no último terço do século XIX – quando nossos impulsos uma vez mais serão lançados sobre a civilização terrestre, nós teremos de buscar sobre a terra a Inteligência que desceu dos céus, a fim de podermos novamente administrar – agora nos corações e almas humanos – o que por anos regemos desde o Sol”. Deste modo a comunidade michaélica preparou-se para encontrar nos corações humanos o que caíra de seu domínio e que sob a influência do Mistério do Golgotha também tomara o caminho, embora lentamente, do céu para a Terra.




Eu agora gostaria de indicar brevemente como Michael e suas hostes se empenharam para que, com o início de sua nova era de regência, eles pudessem uma vez mais retomar o domínio sobre a Inteligência que descera dos céus. Desse momento em diante, Michael que buscava desde o Sol aqueles que na Terra percebiam o espiritual no cosmo, desejava estabelecer sua cidadela nas almas e corações dos seres humanos terrenos. Isto deve acontecer em nossa época. O Cristianismo deve ser conduzido a um reino de verdades mais profundas, visto que o entendimento do Cristo como Ser Solar deve surgir entre os homens com a ajuda de Michael, o Espírito Solar que foi sempre o regente da Inteligência cósmica, e que já não pode agora administrá-la do Cosmos, mas deseja no futuro regê-la através dos corações humanos.

Ao procurar descobrir a origem e a fonte da Inteligência qualquer que seja a forma em que ela se revele, as pessoas olham hoje para a cabeça humana porque tendo descido dos céus para a Terra, a Inteligência tece dentro da alma e se manifesta internamente por meio da cabeça. Não foi sempre este o caso; houve tempo em que os seres humanos buscavam a Inteligência ou sua essência tal como ela se revelava desde o Cosmos. Em tempos antigos as pessoas procuravam a inteligência não pelo desenvolvimento das faculdades da cabeça, mas buscando as inspirações transmitidas a elas pelas forças cósmicas.

Um exemplo de como a humanidade de outras épocas buscava a Inteligência Cósmica pode ser encontrado quando se visita, como fizemos nós no último domingo, aquele local em Tintagel que foi uma vez o sítio do Castelo do Rei Arthur e onde Arthur e seus companheiros exerceram um poder de enorme significado para a Europa.




A partir dos relatos contidos em documentos históricos não será fácil formar uma verdadeira concepção das tarefas e missão do Rei Arthur e sua Távola Redonda, como era chamada. Isto, no entanto, torna-se possível quando se permanece no real sítio do castelo e se contempla com o olho do espírito toda a extensão do mar que o rochedo de permeio parece dividir em dois. Ali, por um lapso de tempo relativamente curto, pode-se perceber o maravilhoso relacionamento entre a luz e o ar, e também os seres elementais viventes na luz e no ar. Pode-se ver seres espirituais fluindo à Terra nos raios de sol, pode-se vê-los refletidos nas cintilantes gotas de chuva, pode-se ver o que se encontra sob o domínio da gravidade aparecendo no ar como espíritos do ar mais densos. E novamente, quando a chuva para, e os raios de sol voltam a brilhar através do ar cristalino, pode-se perceber os espíritos elementais entremesclando-se de maneira bem diferente. Ali se pode testemunhar como o sol atua sobre a substância terrestre, e observando tudo isso de um lugar como este, é como se fôssemos tomados de uma espécie de piedade pagã – não cristã, mas pagã, que é algo totalmente diferente. A piedade pagã é uma entrega do coração e dos sentimentos à multiplicidade de seres atuantes nos processos da natureza.

Em meio às condições da vida social moderna não é possível para as pessoas, de um modo geral, aperceber-se dos processos que vêm à expressão no curso das forças da natureza. Estas coisas só podem ser penetradas pelo conhecimento iniciático. Mas vocês devem compreender que cada conquista e avanço espiritual dependem fundamentalmente de alguma condição essencial.

No exemplo que lhes dei esta manhã para ilustrar como o conhecimento do fenômeno material pode ser incrementado e expandido, eu falei do entretecimento e da harmonização do carma de dois seres humanos como um fator necessário. E nos dias do Rei Arthur e aqueles à sua volta, condições especiais também eram requeridas para que a espiritualidade tão maravilhosamente revelada e nascida pelo movimento do mar nos rochedos pudesse fluir para suas tarefas e missão.

Este inter-relacionamento entre o ar transpenetrado pela luz do sol e as ondas espumantes se mantém ainda hoje. Sobre o mar e as rochas deste lugar, a natureza ainda transborda de espírito. Mas apoderar-se das forças espirituais atuantes na natureza estaria além das possibilidades de um único indivíduo. Um grupo era necessário, um grupo cujo membro que se sentisse representante do sol deveria estar no centro, e cujos doze companheiros eram treinados de sorte que no temperamento, disposição e maneira de agir, todos juntos formassem um todo duodécuplo: doze indivíduos reunidos como as constelações zodiacais agrupadas ao redor do sol. Tal era a Távola Redonda: o Rei Arthur ao centro, circundado pelos doze, sendo que acima de cada um deles um símbolo zodiacal estava disposto, indicando a qualidade particular da influência cósmica com a qual estava associado. Forças civilizatórias partiram deste lugar para a Europa. Foi aqui que o Rei Arthur e seus doze Cavaleiros extraíram do Sol para dentro de suas almas as forças para apresentar em suas poderosas expedições através da Europa em batalhas contra os poderes selvagens e demoníacos que ainda dominavam grandes massas da população, expulsando-os dos seres humanos. Sob a direção do Rei Arthur estes Doze batalhavam pela civilização exterior.

Para compreender o que os doze sentiam acerca de si mesmos e sua missão, devemos lembrar que naqueles tempos as pessoas não se reconheciam como portadoras de uma inteligência pessoal própria. Elas não diziam: “Eu formo meus pensamentos; meus pensamentos estão preenchidos com minha própria inteligência”. As pessoas experimentavam a inteligência como revelação, e buscavam esta revelação mediante a formação de grupos como o que acabei de descrever – um grupo de doze ou treze. Ali eles assimilavam a Inteligência que lhes possibilitava dar direção e definição aos impulsos necessários à civilização. E este grupo também sentia que realizava seus feitos a serviço do poder conhecido na terminologia hebraico-cristã como Michael. Toda a configuração do castelo de Tintagel indica que os doze sob a direção de Arthur eram essencialmente uma comunidade Michaélica, pertencendo à era em que Michael ainda regia a Inteligência
Cósmica.


http://www.festascristas.com.br/index.p ... -e-o-graal

http://portaldosanjos.ning.com

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